sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Desmistificando estereótipos e preconceitos: Bahia e baianos


       Há alguns anos, em um jogo virtual, tive oportunidade de conhecer um baiano. Curioso sobre sua origem, fiz perguntas sobre sua origem e sobre seu estado.  Acontece que essa pessoa me mostrou que a Bahia não é exatamente o estereótipo que todos imaginam.         
       Infelizmente não tenho mais em posse a entrevista, mas o interesse do artigo será desmistificar e discorrer sobre o processo histórico de atribuição de estereótipos aos nossos amigos ociosos, os baianos.
Herbert Spencer

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      Os teóricos do século XIX tentaram provar por meio da teoria social Darwiniana que os povos dos trópicos tem tendência ao relaxo e ao ócio. O velho estereótipo de negro alforriado indolente e do pardo com tendênca ao crime tiveram grande utilidade para justificar a ruína das elites, que vinham amargando perdas em função das leis abolicionistas que ganhavam terreno na época. 
      Nas teorias da época, a habilidade de acumular posses ou dominar as ciências seria indicativo de superioridade predisposta geneticamente. Essas teorias funcionariam bem como justificativa para uma raça deter a supremacia sobre outra.
       Porém o que ocorre na Bahia é um caso funcional do Determinismo Geográfico e Genético. Segundo cientistas da época, a baixa qualidade das raças e o clima desfavorável ao desenvolvimento intelectual estão bem resumidos no trecho de Schwarcz:


[...] Não poderá negar a deteriorizaçao decorrente da amálgama das raças mais aqui do que em qualquer outro país do mundo, e que vai apagando rapidamente as melhores qualidades do branco, do negro e do índio deixando um tipo indefinido, hibrido, deficiente em energia física e mental (AGASSIZ apud SCHWARCZ, 1993, p. 13). 

           Dos relatos destes cientistas nasceu o estereótipo atual de baiano preguiçoso. Aquele sujeito apático e sempre indiposto ao esforço, filho da mistura de negros e brancos, compõe o imaginário de muitos sobre o baiano. Não se pode afirmar que exista certo relaxo e desvalorização do trabalho pelos baianos, porém o que se constata na Bahia atualmente é um grande avanço.
Foto surpreendente da Avenida Tancredo Neves, em Salvador

    A  capital do estado se tornou um grande entreposto do comércio, e claro, do turismo nacional. O centro da cidade ostenta prédios modernos que contrastan com o Pelourinho. As belas praias e coqueiros típicos formam belos pontos turísticos. A bondade da natureza que moldou a natureza do baiano também transparece hoje em um povo carismático e inteligente, que apesar das dificuldades sabe se destacar no jogo da vida com perspicácia.

        E se engana quem pensa que a Bahia é um enorme calçadão à beira da praia com baianas vendendo requintadas delícias da culinária local. Existe também o interior da Bahia, também conhecido como "Sertão", lar de gente sofrida e desgraçada da vida adaptada ao clima hostil e árido. Desta região brasileira nasceu Guimarães Rosa, grande escritor.

        É por essas e outras que a Bahia (e também o Norte como um todo), se destaca em seu papel na história brasileira, apesar das desglórias e da contínua subserviência às conveniências da União, com eventuais exceções em revoltas isoladas. Aqui está uma lista de personalidades baianas de destaque no ideário intelectual/artístico brasileiro:

-Antônio Carlos Magalhães
-Carla Perez e Xanddy
-Cláudia Leite
-Pitty
-Gilberto Gil
-Repórter Gostosinho (é de Maceió mas a gente arredonda)